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	<title>Professores Online &#187; ipb</title>
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		<title>Nesse textos quais sao o enredo</title>
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		<pubDate>Tue, 27 May 2014 10:26:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[ipb]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[O Grande Mistério Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) Há dias já que buscavam uma explicação para os odores esquisitos que vinham da sala de visitas. Primeiro houve um erro de interpretação: o quase imperceptível cheiro foi tomado como sendo de camarão. No dia em que as pessoas da casa notaram que a sala fedia, havia [&#8230;]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O Grande Mistério</p>
<p>Stanislaw Ponte Preta<br />
(Sérgio Porto)</p>
<p>Há dias já que buscavam uma explicação para os odores esquisitos que vinham da sala de visitas. Primeiro houve um erro de interpretação: o quase imperceptível cheiro foi tomado como sendo de camarão. No dia em que as pessoas da casa notaram que a sala fedia, havia um soufflé de camarão para o jantar. Daí&#8230;</p>
<p>Mas comeu-se o camarão, que inclusive foi elogiado pelas visitas, jogaram as sobras na lata do lixo e — coisa estranha — no dia seguinte a sala cheirava pior.</p>
<p>Talvez alguém não gostasse de camarão e, por cerimônia, embora isso não se use, jogasse a sua porção debaixo da mesa. Ventilada a hipótese, os empregados espiaram e encontraram apenas um pedaço de pão e uma boneca de perna quebrada, que Giselinha esquecera ali. E como ambos os achados eram inodoros, o mistério persistiu.</p>
<p>Os patrões chamaram a arrumadeira às falas. Que era um absurdo, que não podia continuar, que isso, que aquilo. Tachada de desleixada, a arrumadeira caprichou na limpeza. Varreu tudo, espanou, esfregou e&#8230; nada. Vinte e quatro horas depois, a coisa continuava. Se modificação houvera, fora para um cheiro mais ativo.</p>
<p>À noite, quando o dono da casa chegou, passou uma espinafração geral e, vitima da leitura dos jornais, que folheara no lotação, chegou até a citar a Constituição na defesa de seus interesses.</p>
<p>— Se eu pago empregadas para lavar, passar, limpar, cozinhar, arrumar e ama-secar, tenho o direito de exigir alguma coisa. Não pretendo que a sala de visitas seja um jasmineiro, mas feder também não. Ou sai o cheiro ou saem os empregados.<br />
Reunida na cozinha, a criadagem confabulava. Os debates eram apaixonados, mas num ponto todos concordavam: ninguém tinha culpa. A sala estava um brinco; dava até gosto ver. Mas ver, somente, porque o cheiro era de morte.</p>
<p>Então alguém propôs encerar. Quem sabe uma passada de cera no assoalho não iria melhorar a situação?</p>
<p>&#8212;  Isso mesmo — aprovou a maioria, satisfeita por ter encontrado uma fórmula capaz de combater o mal que ameaçava seu salário.</p>
<p>Pela manhã, ainda ninguém se levantara, e já a copeira e o chofer enceravam sofregamente, a quatro mãos. Quando os patrões desceram para o café, o assoalho brilhava. O cheiro da cera predominava, mas o misterioso odor, que há dias intrigava a todos, persistia, a uma respirada mais forte.</p>
<p>Apenas uma questão de tempo. Com o passar das horas, o cheiro da cera — como era normal — diminuía, enquanto o outro, o misterioso — estranhamente, aumentava. Pouco a pouco reinaria novamente, para desespero geral de empregados e empregadores.</p>
<p>A patroa, enfim, contrariando os seus hábitos, tomou uma atitude: desceu do alto do seu grã-finismo com as armas de que dispunha, e com tal espírito de sacrifício que resolveu gastar os seus perfumes. Quando ela anunciou que derramaria perfume francês no tapete, a arrumadeira comentou com a copeira:</p>
<p>— Madame apelou para a ignorância.</p>
<p>E salpicada que foi, a sala recendeu. A sorte estava lançada. Madame esbanjou suas essências com uma altivez digna de uma rainha a caminho do cadafalso. Seria o prestigio e a experiência de Carven, Patou, Fath, Schiaparelli, Balenciaga, Piguet e outros menores, contra a ignóbil catinga.</p>
<p>Na hora do jantar a alegria era geral. Nas restavam dúvidas de que o cheiro enjoativo daquele coquetel de perfumes era impróprio para uma sala de visitas, mas ninguém poderia deixar de concordar que aquele era preferível ao outro, finalmente vencido. </p>
<p>Mas eis que o patrão, a horas mortas, acordou com sede. Levantou-se cauteloso, para não acordar ninguém, e desceu as escadas, rumo à geladeira. Ia ainda a meio caminho quando sentiu que o exército de perfumistas franceses fora derrotado. O barulho que fez daria para acordar um quarteirão,quanto mais os da casa, os pobres moradores daquela casa, despertados violentamente , e que não precisavam perguntar nada para perceberem o que se passava. Bastou respirar. </p>
<p>Hoje pela manhã, finalmente, após buscas desesperadas, uma das empregadas localizou o cheiro. Estava dentro de uma jarra, uma bela jarra, orgulho da família, pois tratava-se de peça raríssima, da dinastia Ming.</p>
<p>Apertada pelo interrogatório paterno Giselinha confessou-se culpada e, na inocência dos seus 3 anos, prometeu não fazer mais.</p>
<p>Não fazer mais na jarra, é lógico.</p>
<p>Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Marcos Rangel Porto – 1923/1968) nos brinda com mais uma de suas histórias cheias de suspense e muito humor. Esta, retirada do livro &#8220;Rosamundo e os outros&#8221;, publicado em 1963 (1a. edição) pela Editora Sabiá Ltda., dá uma excelente idéia do poder de criação do autor dos também consagrados &#8220;Tia Zulmira e eu&#8221;,&#8221; Primo Altamirando e elas&#8221;, &#8220;Garoto Linha Dura&#8221; e os diversos e impagáveis números do &#8220;Festival de Besteira que Assola o País&#8221;.</p>
<p>Conheça e vida e a obra de Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta) visitando &#8220;Biografias&#8221;.</p>
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